Aula de yoga: de céptica a fã Comecei a manhã com um café no sítio do costume. Entre dois dedos de conversa, conto que vou experimentar uma aula de yoga e aproveito para lhe perguntar o que ele sabe de yoga. “Ah, isso é uma espécie de ginástica, não é?” Lá tento explicar que vai para além do físico. Mas ele conclui “faz-se exerciciozinhos. Não é ginástica, mas é parecido…” Assim ficamos. Senti então que tinha a missão de conseguir mostrar o que era o yoga.
Durante o dia arranjo companhia para a aula. Lúcia, curiosa, troca uma aula no ginásio por uma aula de yoga com o instrutor Abdul. Uma hora antes como apenas um iogurte. Convém não fazer a aula de barriga cheia “mas sem roncar”, pediu-nos Abdul. Chega às seis horas e preparamo-nos para entrar, deixamos o calçado fora da sala.
Ficamos descalços numa sala de paredes brancas que reflectem a luz solar e criam uma harmonia com o soalho de madeira confortável. Descalços começamos a executar os asanas, isto é, os padrões posturais que acalmam a mente e desbloqueiam a energia vital do corpo.
Abdul é magro e esguio. Os seus braços são mais finos do que os da maioria das pessoas. Mas isso não o impede de suster o seu corpo ou de se equilibrar de forma impressionante. É a prova de que o yoga desenvolve a força física, mas sem criar aquele corpo de ginásio. No yoga procuram, trabalhar para além do físico, a mente e as emoções. De acordo com a história do yoga, Shiva explica aos curiosos que expressão corporal era uma manifestação da serenidade e estabilidade da sua mente.
Muitos dos asanas que fizemos durante a aula foram padrões posturais de equilíbrio, como a árvore. Não corremos, nem saltámos. Porém, a insistência nos asanas em que transportávamos os pesos para um dos lados procurando um equilíbrio e depois trocando, acaba por nos fazer igualmente suar. Deparamo-nos com algumas fragilidades, por vezes desequilibramo-nos um pouco e trememos dos pés à cabeça. Os nossos dois companheiros de aula mostram-se um pouco mais à vontade pois já têm consigo um ano e meio de experiência.
O suor torna-se particularmente notório ao tentarmos uma posição invertida, ou seja, cabeça na almofada, mãos no occipital onde tentamos elevar as pernas como se fosse um pino. Alguns segundos lá em cima equivalem a uns bons minutos de corrida.
Apesar de movimentarmos o corpo e de sentirmos o suor, os tremeliques das pernas e dos braços, o yoga acaba por exercitar ainda mais a fundo a mente. No yoga parte-se do princípio que é a mente que controla o corpo, mas o que controla a mente é a respiração.
Porém, aprendemos rapidamente durante a aula que não sabemos respirar e que a mente nos bloqueia. Descobrimos que o nosso corpo consegue fazer mais do que tínhamos noção.
Ao respirarmos como nos é proposto e ao executarmos os asanas, começamos a sentir um turbilhão de emoções e de pensamentos, mas um misto de bem-estar simultaneamente. Vamo-nos sentido progressivamente mais leves. Como o Abdul diz, tomamos consciência que está na altura de desfazer os nós. Embora houvesse um medo bloqueador, o sucesso de certos asanas como o invertido, fez com que um pico de determinação e motivação saísse disparado de algures e me inundasse o ser.
Após a aula não fiquei a pensar nos músculos e tendões mas antes no que me tinha submergido à mente, dado que, alguns dos pensamentos que vieram ao de cima eram episódios do passado que eu não considerava uma fonte de preocupação. Nessa noite tive também um forte impulso para a escrita.
O relaxamento com o yoga foi mais profundo do que com outras técnicas e exercícios que faço no meu dia-a-dia. Uma das diferenças entre desporto e yoga que verifiquei foi que se no desporto gastamos energia, sentimo-nos cansados quando acabamos, no yoga recarregamos, sentimos mais energia do que quando começámos.
Nessa noite dormi um sono profundo. Não foi por estar exausta, mas pela sensação de calma e pelos meus pensamentos serem positivos de confiança. Antes de adormecer, não houve espaço para preocupações ou ansiedades, não foi preciso ver televisão ou ler o livro de cabeceira até o olhar ficar turvo.
Finalmente percebi que o yoga engloba a mente, o físico e a emoção. Entendo agora por que razão os praticantes de yoga me parecem sempre tão zen porque partilhei a experiência. De céptica passei a fã.
Ana Sofia
Durante o dia arranjo companhia para a aula. Lúcia, curiosa, troca uma aula no ginásio por uma aula de yoga com o instrutor Abdul. Uma hora antes como apenas um iogurte. Convém não fazer a aula de barriga cheia “mas sem roncar”, pediu-nos Abdul. Chega às seis horas e preparamo-nos para entrar, deixamos o calçado fora da sala.
Ficamos descalços numa sala de paredes brancas que reflectem a luz solar e criam uma harmonia com o soalho de madeira confortável. Descalços começamos a executar os asanas, isto é, os padrões posturais que acalmam a mente e desbloqueiam a energia vital do corpo.
Abdul é magro e esguio. Os seus braços são mais finos do que os da maioria das pessoas. Mas isso não o impede de suster o seu corpo ou de se equilibrar de forma impressionante. É a prova de que o yoga desenvolve a força física, mas sem criar aquele corpo de ginásio. No yoga procuram, trabalhar para além do físico, a mente e as emoções. De acordo com a história do yoga, Shiva explica aos curiosos que expressão corporal era uma manifestação da serenidade e estabilidade da sua mente.
Muitos dos asanas que fizemos durante a aula foram padrões posturais de equilíbrio, como a árvore. Não corremos, nem saltámos. Porém, a insistência nos asanas em que transportávamos os pesos para um dos lados procurando um equilíbrio e depois trocando, acaba por nos fazer igualmente suar. Deparamo-nos com algumas fragilidades, por vezes desequilibramo-nos um pouco e trememos dos pés à cabeça. Os nossos dois companheiros de aula mostram-se um pouco mais à vontade pois já têm consigo um ano e meio de experiência.
O suor torna-se particularmente notório ao tentarmos uma posição invertida, ou seja, cabeça na almofada, mãos no occipital onde tentamos elevar as pernas como se fosse um pino. Alguns segundos lá em cima equivalem a uns bons minutos de corrida.
Apesar de movimentarmos o corpo e de sentirmos o suor, os tremeliques das pernas e dos braços, o yoga acaba por exercitar ainda mais a fundo a mente. No yoga parte-se do princípio que é a mente que controla o corpo, mas o que controla a mente é a respiração.
Porém, aprendemos rapidamente durante a aula que não sabemos respirar e que a mente nos bloqueia. Descobrimos que o nosso corpo consegue fazer mais do que tínhamos noção.
Ao respirarmos como nos é proposto e ao executarmos os asanas, começamos a sentir um turbilhão de emoções e de pensamentos, mas um misto de bem-estar simultaneamente. Vamo-nos sentido progressivamente mais leves. Como o Abdul diz, tomamos consciência que está na altura de desfazer os nós. Embora houvesse um medo bloqueador, o sucesso de certos asanas como o invertido, fez com que um pico de determinação e motivação saísse disparado de algures e me inundasse o ser.
Após a aula não fiquei a pensar nos músculos e tendões mas antes no que me tinha submergido à mente, dado que, alguns dos pensamentos que vieram ao de cima eram episódios do passado que eu não considerava uma fonte de preocupação. Nessa noite tive também um forte impulso para a escrita.
O relaxamento com o yoga foi mais profundo do que com outras técnicas e exercícios que faço no meu dia-a-dia. Uma das diferenças entre desporto e yoga que verifiquei foi que se no desporto gastamos energia, sentimo-nos cansados quando acabamos, no yoga recarregamos, sentimos mais energia do que quando começámos.
Nessa noite dormi um sono profundo. Não foi por estar exausta, mas pela sensação de calma e pelos meus pensamentos serem positivos de confiança. Antes de adormecer, não houve espaço para preocupações ou ansiedades, não foi preciso ver televisão ou ler o livro de cabeceira até o olhar ficar turvo.
Finalmente percebi que o yoga engloba a mente, o físico e a emoção. Entendo agora por que razão os praticantes de yoga me parecem sempre tão zen porque partilhei a experiência. De céptica passei a fã.
Ana Sofia